Após cinco dias de sessões plenárias, painéis, mesas-redondas, grupos de trabalho e oração conjunta, os participantes da quinta Consulta Continental MANI assinaram a Declaração de Abidjan a 13 de março de 2026. A consulta, a primeira alguma vez realizada na África francófona, teve como tema Realidades, Desafios e Perspetivas, Presentes e Futuros, da Igreja Africana.
Assinalam-se 25 anos desde a declaração fundadora da MANI, em Jerusalém. Vieram representantes de igrejas, agências missionárias e iniciativas nacionais de toda a África e da diáspora africana, juntamente com parceiros do Movimento de Lausana, da Aliança Evangélica Mundial, da COALA, da Aliança Evangélica Europeia e de outras entidades.
Um momento kairós
A África é hoje o continente com a maior população cristã, cerca de 750 milhões de crentes. A Declaração afirma que acabou a era em que a África era sobretudo um continente que recebia missionários: já funcionam centros de envio em Lagos, Nairobi, Jos, Ibadan, Owerri, Adis Abeba, Iaundé, Lomé, Abidjan e Joanesburgo, e Deus chama cada igreja em África a ser uma igreja que envia, “não um dia, mas agora”.
A escolha de Abidjan foi missional e intencional. O Sahel francófono, do Senegal e da Mauritânia ao Mali, Burquina Faso, Níger, Nigéria, Sudão, Eritreia, Camarões e Chade, é uma das fronteiras missionárias mais concentradas do planeta. A consulta renovou o antigo apelo da MANI para «Go North» (Ir para o Norte) e comprometeu-se a garantir que as vozes francófonas e lusófonas moldem a estratégia aos mais altos níveis.
Seis prioridades estratégicas
Os delegados descrevem-nas não como recomendações, mas como um compromisso com o avanço do Reino na próxima década.
- Visão renovada da MANI e liderança estratégica. A MANI reafirma que é um movimento e não uma organização. A transição do Rev. Dr. Reuben Ezemadu para o Rev. Peter Oyugi sinaliza maturidade e continuidade.
- Mobilização missionária e formação transcultural. A África deve desenvolver as suas próprias estruturas de envio de missionários e financiá-las com os seus próprios recursos, incluindo um movimento missionário francófono coordenado no Sahel.
- Unidade da Igreja, colaboração e parcerias. A parceria não é generosidade, mas uma necessidade do Reino: menos duplicação, dados de investigação partilhados e uma ponte estrutural, e não apenas retórica, entre a África anglófona e a África francófona.
- Enfrentar a perseguição e a instabilidade política. Com um em cada cinco cristãos africanos a enfrentar perseguição, os obreiros devem ser preparados teológica e missiologicamente para o sofrimento, com envio atento à segurança, solidariedade, intercessão e uma defesa credível.
- Discipulado transformacional e envolvimento da juventude. Mais de metade da população de África tem menos de 25 anos. A consulta apela a um discipulado que produza discípulos da Grande Comissão e à inclusão genuína dos jovens, desde já.
- Desafios e oportunidades contextuais. O síndrome da dependência tem de ser desaprendido e substituído por uma cultura comunitária de dar; a mentalidade de pobreza e o evangelho da prosperidade são identificados como distorções gémeas. A âncora é Apocalipse 7:9: todos os grupos de povos diante do trono.
Avançar juntos: o caminho a seguir
- Cada nação deve fortalecer ou estabelecer a sua Iniciativa Nacional de Missões como motor autóctone para mobilizar, formar e enviar missionários.
- A Igreja em África deve construir uma cultura comunitária de dar para as missões, em vez de depender de doadores externos.
- As mulheres africanas devem estar na linha da frente da mobilização e da liderança missionárias.
- Os líderes mais velhos devem abrir ativamente, desde já, caminhos de liderança aos líderes mais jovens, passando o testemunho com intencionalidade.
- A Igreja francófona deve assumir plenamente a sua posição estratégica às portas do Sahel, apoiada por toda a comunidade missionária africana e global.
- Cada igreja participante deve identificar e adotar um grupo de povos não alcançados, dar com generosidade, orar com persistência e enviar com sacrifício.
- A iniciativa African Christian Mission Authors (ACMA) deve contar a história da missão africana com vozes africanas.
À Igreja francófona: a vossa posição às portas do Sahel não é um acaso da geografia. É uma missão divina. Portanto, Go North!
A Declaração termina com um mandato a cada delegado: mobilize a sua igreja, invista nos seus líderes mais jovens e adote o grupo de povos não alcançado da sua nação. À diáspora diz: “vocês não foram dispersos; foram destacados”. A sua última linha dá à consulta o seu tema: De Abidjan para todo o mundo — até Jesus voltar.
A Subcomissão de Escuta e Comunicado foi presidida pelo Revdo. Dr. Gideon Para-Mallam, com a Dra. Esther Chengo, o Rev. Dr. Israel Oluwole Olofinjana, Olaoluwa Adeyemi, o Rev. Clement Hlama e Lin Kabachia.
